Indignaçao de um carioca apaixonado pelo Rio
Marco Paulo Brito 29 de abril de 2025 At 11:37
LUGAR HORROROSO!
A verdade é esta: um
breu fétido à noite. Bairro fantasma de dia. O Porto Maravilha não passa de um
dormitório central com vista para o cais das desilusões. O NeobondeVLT, diga-se
de passagem, é a única eficiência no lugar, com uma roda-gigante e um aquário
com preços exorbitantes, num “Boulevard” Olímpico repleto de desocupados,
viciados em drogas, alcoólicos, punguistas e toda a sorte de marginais às
espreitas. Condomínios gentrificados que induzem aos seus compradores que
morarão em apartamentos centrados em si mesmos, o que é uma falácia da especulaÇÃO
imobiliária. Auto-suficiência é um lugar que não existe e só quem estão
lucrando são as incorporadoras, que criaram uma maravilha carioca para suas
construções civis.
Auto-suficiência é um lugar que não existe e só quem estão
lucrando são as incorporadoras, que criaram uma maravilha carioca para suas
construções civis.
Luiz Roberto Bodstein 29 de abril de 2025 At 18:40
Marco Paulo Brito: A qual “verdade” você está se referindo? A
sua, evidentemente, porque percorro o porto de ponta a ponta quase diariamente
e vejo tudo bem diferente do que você relatou nesse infeliz comentário, que
reflete apenas sua opinião pessoal. Imagino que não frequente o local
continuamente, nem converse com as pessoas que moram ali, principalmente as que
já moravam no porto antes da transformação por que passou. Pois saiba: a
esmagadora maioria deles está entusiasmado com as mudanças e acompanhando de
perto e enorme interesse o crescimento da região, e não sei isso por notícias
de jornal: em converso com eles! Pra quem mora ali não há comparação entre o
porto da época da Perimetral e esse de agora. As pessoas viviam em meio a um
dos locais mais degradados da cidade, e agora vivem numa área procurada por
turistas, cheia de eventos, de espaços de lazer, de dignidade. E quanto à
gentrificação que você mencionou, sabe qual foi sua taxa? Eu lhe digo: entre 20
e 25% nos dados oficiais. Ou seja: perto de 80% dos antigos moradores
permaneceram em suas casas, e viram a área se transformando, recebendo instalações
culturais e de lazer, vendo o VLT passando em sua porta, tendo acesso a eventos
que jamais pensara antes em participar. Os espaços foram revistos, embelezados,
valorizados, ressignificados.
Você convive com gente dali? Pois eu convivo, e
noto como se percebem agora integradas à vida da cidade, quando antes se
sentiam excluídas dela. Aprenderam a conviver com a beleza dos espaços e sua
arquitetura, passaram a sentir orgulho do seu local de origem, a se sentirem
até invejados por quem não é dali.
A gentrificação, se você pesquisar, foi uma
das menos predatórias que já aconteceu no país, se é que aconteceu alguma
menor, pois não há como produzir tantas transformações urbanas sem que um
mínimo de pessoas precise deixar o local em prol da melhoria para todos os
demais, que neste caso foram a esmagadora maioria. E saiba: muita gente dali
mesmo saiu das casas onde moravam para ocupar os condomínios construídos ali.
Tenho vários amigos que o fizeram, alguns para realizar o grande sonho de suas
vidas, outros porque queriam investir, comprando apartamentos pequenos e
acessíveis para alugar e aumentar sua renda.
E quanto ao “breu fétido de noite”
e “bairro fantasma de dia”, quanto tempo você acredita ser necessário para que
uma revitalização dessa envergadura alcance sua total capacidade de
movimentação e qualidade de vida? A do Porto Maravilha foi previsto para a
década de 2030, quando então toda a infraestrutura estará criada e os
residenciais já todos habitados.
Mas hoje, um “dormitório central” é tudo o que
o porto não é, porque não dormem lá ainda nem um quarto das pessoas que se
espera habitarem o local quando o projeto estiver concluído. Então não sei o
que você chama de “Cais das Desilusões”, porque o ritmo das transformações
estão aceleradas e atraindo todo tipo de investimento, inclusive um dos mais
prestigiados centros de ensino do país, que é o Instituto de Matemática Pura e
Aplicada, o IMPA, onde já estudam uma centena de estudantes de alta
performance, e terá esse contingente aumentado a cada ano.
Moradores de rua tem
sim, como você encontrará em qualquer canto da cidade, notadamente em
Copacabana e Ipanema, pois se trata de um drama social para o qual o pais ainda
não encontrou solução, reduzindo as desigualdades. Mas não sei o que você quis
dizer com “apartamentos gentrificados”. Acho que não sabe do que se trata, pois
gentrificação não tem nada a ver com locais cheios de gente, nem com muita
gente concentrada num lugar só, mas bem o contrário. Você vai encontrar a
informação no Google mesmo. Informação é essencial antes de emitir opinião, meu
caro.
Poderia falar de cada abordagem sua, ponto a ponto, mas o certo é que você
teceu tanta crítica destrutiva sem ter sequer se aproximado dos moradores ali
pra entender como pensam, entender os seus sonhos, antes de lançar por terra a
dignidade que estão resgatando com toda a transformação do local onde moram, e
amam. Ouça-os da próxima vez. Vai se surpreender!

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